Os anos de 2010 e 2011 foram um divisor de águas na minha vida. Eu já havia decidido, bem antes disso, que meu filho faria um intercâmbio. Não sabia por onde começar, então fui a uma agência — e quase caí para trás com os preços. Mesmo assim, uma certeza me guiava: não iria desistir.
Continuei pesquisando, buscando informações em todos os lugares possíveis. Até que uma professora disse a frase que mudaria a minha vida e a do meu filho: “Procure o Rotary, é o intercâmbio mais seguro do mundo.”
E assim fiz. Poucos dias depois, lá estava eu, sentada em uma reunião do Rotary, absorvendo cada informação. Começamos então aquela que seria uma verdadeira maratona: um ano e meio de formulários, entrevistas e preparo. Eu não sabia uma palavra em inglês, mas respondi um questionário de mais de 30 páginas com toda a dedicação do mundo — porque um sonho não se negocia, ele se constrói.
Um dos compromissos do programa era receber um intercambista em casa. Eu estava tão feliz com a possibilidade do meu filho viver essa experiência, que pensei que seria maravilhoso ter um filho ou filha extra enquanto o meu estivesse fora.
Eu não fazia ideia do quanto isso transformaria a minha vida.
Recebi uma intercambista da Alemanha, uma da Austrália e a Berenice, da Bélgica — a nossa Berê. Ela morou comigo por oito meses, e nesse período compartilhamos uma vida inteira. Corremos juntas, aprendi a andar de patins, fizemos curso de maracatu e dançamos muito. Ela conheceu toda a família no interior de São Paulo e viveu nossas tradições como se sempre tivesse feito parte delas.
E teve um momento especial que nunca esqueci: foi comigo que ela fez a unha pela primeira vez na manicure. Pequenas coisas que criam laços gigantes.
Quando ela se foi, uma parte de mim foi com ela — e outra parte dela ficou em mim.
Os anos passaram, Berê se casou e ficou grávida. Um dia, recentemente, ela me disse: “Rô, quero que você me veja grávida.”
E lá fui eu, direto para a Bélgica, reencontrar minha filha do coração. O mais bonito é que, embora o tempo tenha passado, senti como se tivéssemos nos visto ontem. Nunca senti essa distância: ela mora em mim. Penso nela sempre.
Jessica, a intercambista da Austrália, hoje também está casada, tem dois filhos e vive no meu coração. Sonho um dia visitar a Austrália para reencontrá-la.
Enquanto tudo isso acontecia, meu filho também vivia seu próprio capítulo do intercâmbio, na Dinamarca 🇩🇰. Assim como eu, ele criou laços que duram até hoje. Ele mantém contato com todos da host family, que se tornaram parte da nossa história.
O intercâmbio transforma. Ele atravessa países, culturas, sotaques e continentes. Ele cria vínculos que resistem ao tempo e à saudade. Ele forma famílias que não nasceram do sangue, mas do encontro, da convivência, do amor.
E é por isso que digo, com o coração cheio: Intercâmbio deixa marcas que nos acompanham por toda a vida — e que fazem a vida valer ainda mais a pena.
Se esse relato tocou você de alguma forma — como mãe, pai, estudante ou alguém que sonha com o mundo — sigo por aqui para trocar, inspirar e ajudar. Me acompanha por aqui para continuarmos essa conversa.
Com carinho,
Rô





